sexta-feira, 28 de novembro de 2014

106 – O guia pervertido do cinema (The pervert´s guide to cinema) – Inglaterra (2006)


Direção: Sophie Fiennes
O que pode a psicanálise dizer-nos sobre o cinema? Esta é a pergunta a que THE PERVERT´S GUIDE TO CINEMA se propõe responder. O filme conduz o espectador através de uma estimulante viagem por alguns dos maiores filmes de sempre. O guia e apresentador é Slavoj Zizek (lê-se Slavói Chichec), o carismático filósofo e psicanalista esloveno. Na sua apaixonada abordagem ao pensamento, vasculha a linguagem escondida do cinema, revelando o que os filmes podem dizer-nos sobre nós próprios.

Um filme para ser visto com a assessoria de um cinéfilo e de um psicanalista freudiano.

Felizmente, a cinefilia me permitiu compreender boa parte do que Slavoj Zizek analisou.

Já a análise...

A maioria eu não consegui entender.

E o que eu supostamente consegui, a maioria eu não concordei.

Mas, ainda assim, valeu.


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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

105 – O Baile (Le Bal) – Itália (1983)


Direção: Ettore Scola
Sem diálogos, o filme conta parte da história da França, da década de 1930 à década de 1980, a partir dos personagens reunidos em um salão de dança. Através das recordações das pessoas, da música e da dança, o filme traça um panorama da evolução do país, da ocupação nazista ao surgimento do rock'n'roll.


Eduardo Coutinho, o gênio do documentário brasileiro, dizia que uma de suas técnicas de criação era criar suas próprias prisões, estabelecer seus próprios limites. Ou seja, “vou filmar a favela tal, ou moradores do prédio tal, só religiosos de uma mesma comunidade, etc”. Enfim, determinava seu recorte e a partir disso, criava.

Não sei como funciona o processo criativo de Ettore Scola, mas garanto que ele é um gênio, dentro de sua própria prisão. Em A Família, a câmera está dentro da casa – o espaço físico é o seu limite – e sem nunca sair de lá, o filme acompanha a transformação de uma família, que vai atravessando gerações.

Em O Baile, a prisão estabelecida é ainda mais desafiadora. Ettore não apenas repete o limite físico – a câmera nunca sai do salão de dança – como elimina qualquer diálogo verbal. Não há uma vogal dita entre os personagens e, no entanto, eles estão em constante interação. A sensibilidade do filme é extraordinária. A expressão facial e, sobretudo, corporal dos atores é uma aula.

Ettore consegue contar, sem dizer uma palavra, um fragmento da sociedade ocidental do século XX. Apenas com músicas e sons de bombas. Apenas com corpos e rostos. Apenas com sua genialidade.


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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

104 – Chove sobre nosso amor (Det regnar på vår kärlek) – Suécia (1946)


Direção: Ingmar Bergman
Kollberg e Malmsten formam o casal que tenta ultrapassar as barreiras da vida. Ela está grávida e ele acabou de ser libertado da prisão. Ambos não têm onde morar, mas surge uma chance quando aparece uma oportunidade de trabalharem como empregados de um hotel. Mas eles terão de lutar na Justiça contra a oposição da igreja, do patrão e toda a burocracia existente.



O primeiro filme de Ingmar Bergman.



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terça-feira, 25 de novembro de 2014

103 – Foxfire – confissões de uma gangue de garotas (Foxfire) – França (2012)


Direção: Lurent Cantet
Em 1953, um grupo de garotas, em uma pequena cidade violenta, pós-guerra e dominada por homens, formam uma gangue para atingir o sonho impossí­vel de viver por suas próprias leis e regras, não importa o que aconteça. Primeiro, as garotas cometem pequenos delitos e pequenos roubos em supermercados, mas depois as atividades ilegais começam a fugir do controle.


Uma interessante história, sobre uma gangue de garotas e a forma que elas encontraram para passar por cima de sua própria ingenuidade e imaturidade e enfrentar os abusos, assédios e opressão cometidos pelos homens, pelo mundo, e pelo mundo machista.

Pena que o diretor Laurent Cantet não conseguiu extrair dos personagens a mesma emoção que havia conseguido em Entre os muros da escola. A câmera na mão, que sacudia, se perdia, mas que conseguia penetrar nos olhares, passar pela mente e chegar no coração de seus personagens, infelizmente não se repetiu em Foxfire.

É um ótimo filme, uma história muito bem contada. Mas faltou a pitada de brilhantismo que Cantet usou em seu filme anterior.


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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

102 – Iracema, uma transa amazônica (idem) – Brasil (1975)


Direção: Jorge Bodanzky; Orlando Senna
Em 1974, em plena ditadura, quando o governo militar alardeava a propaganda da construção do “Brasil Grande”, Jorge Bodanzky, Orlando Senna e Wolf Gauer filmam Iracema — uma transa amazônica, ficção com uma feição documental que se tornou marco na cinematografia brasileira. O filme faz um contraponto à propaganda oficial da época sobre a Amazônia, revelando as queimadas, o trabalho escravo e a prostituição infantil através da história da menina ribeirinha Iracema, que, atraída pela cidade grande e pela lábia do motorista de caminhão Tião Brasil Grande, acaba se prostituindo às margens da rodovia Transamazônica. Proibido durante seis anos no Brasil, recebeu inúmeros prêmios em festivais internacionais. Em 1981, foi o grande vencedor do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.


De volta ao Pará, ao Ver-o-Peso e à Transamazônica. Uma viagem pelas estradas paraenses e pelo tempo. O tempo do “Brasil grande”. Das promessas. Do progresso. Do “ame-o ou deixe-o”. Das Iracemas, jovens, prostituídas, sem futuro. Do desmatamento de florestas e de sonhos. E de uma estrada, que seria o alicerce de um novo tempo no norte do país.

A Transamazônica continua ruim. Alguns dizem que é proposital, pois uma estrada boa significaria mais desmatamento. Mas o desmatamento também continua. O progresso chegou para poucos. As promessas continuam. E ainda existem algumas Iracemas, aqui e acolá.

A obra de Jorge Bodanzky e Orlando Senna é um presente para o cinema nacional, para a Amazônia e para a história do país. 



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domingo, 23 de novembro de 2014

101 – Violeta foi para o céu (Violeta se fue a los cielos) – Chile (2011)


Direção: Andrés Wood
Intratável, terna, boêmia, áspera, contundente, frágil e indomável. Violeta Parra foi uma das artistas mais emblemáticas do Chile - e ainda assim, profundamente ignorada por décadas de uma cultura controlada pela ditadura de Pinochet.
Andrés Wood, diretor de Machuca, realiza um trabalho primoroso ao trazer para as telas, a partir do livro escrito pelo filho de Violeta, Ángel Parra, a vida, a obra, a memória, os amores e as esperanças dessa cantora, compositora, poeta e pintora que é um dos maiores ícones da arte popular latino-americana.


Bom viajar novamente ao Chile, através de Violeta Parra. Uma história de vida cinematográfica, de uma artista que é um eterno conflito.

Muito boa a representação de Andrés Wood, que não se prendeu à “obrigação” de ter que fazer de uma biografia o retrato virtuoso da representada. Muito pelo contrário, não teve medo de expor as contradições e o lado indigesto de Violeta. Ótimo filme.


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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

100 – Um terno de casamento (Lebassi Baraye Arossi) – Irã (1973)


Direção: Abbas Kiarostami
Uma mulher encomenda um terno de um alfaiate para que seu jovem filho possa ir ao casamento da irmã. O aprendiz do alfaiate, junto com dois outros meninos que trabalham no mesmo edifício, bolam um plano para usar o terno durante uma noite e entregá-lo na manhã seguinte sem que ninguém os descubra.


Um filme simples, um pequeno recorte da infância e seus deslizes.

O primeiro longa de Abbas Kiarostami. E o primeiro filme, do diretor, que eu assisto.


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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

99 – Cairo 678 (678) – Egito (2010)


Direção: Luciano Moura
O filme é baseado em três tramas paralelas de três histórias reais de três mulheres egípcias. Ela aborda sobre uma questão muito sensível no Egito e expõe as implicações e as circunstâncias de assédio sexual na vida dos personagens principais. O filme pinta um retrato sem concessões da sociedade egípcia a partir dos pontos de vista de três mulheres de diferentes classes sociais unidos por sua decisão de não mais permanecer em silêncio as vítimas de assédio sexual.


Assisti esse filme egípcio, ao lado de minha mãe egípcia.

Em alguns momentos me senti constrangido por ser homem. Em outros, me senti orgulhoso por não ser um homem igual aos que apareciam na tela.

Um filme para homem ver. Um filme para mulher ver.


Todas as minhas honras para as mulheres e homens feministas do Egito.



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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

98 – A busca (idem) – Brasil (2013)


Direção: Luciano Moura
Theo Gadelha (Wagner Moura) é um médico, casado com a também médica Branca (Mariana Lima), pai do adolescente Pedro (Brás Antunes) e filho de um pai ausente (Lima Duarte). Sua mulher pede a separação, seu filho rejeita sua orientação e a casa que construiu para a família vai ser posta à venda. Aos poucos, Theo constata que seu mundo está desabando. Mas nada se compara ao que está por vir: no fim de semana em que completaria 15 anos, seu filho Pedro some de casa. Theo pega a estrada em busca do filho. A viagem Brasil adentro vira um caminho de auto-conhecimento, um percurso para transformações e descobertas.


A boa e velha “jornada do herói”. A espinha dorsal do roteiro é a básica, que pode ser feita por qualquer iniciante: a apresentação dos personagens; o ponto de virada, com algum grande conflito; a busca, ou os desafios enfrentados pelo protagonista durante sua jornada; a transformação física e psicológica do herói.

Uma câmera na mão e um Wagner Moura na estrada.

Simples, básico. Mas é incrível a magia do cinema, que da simplicidade consegue produzir obras envolventes. Que mesmo clichê, é capaz de surpreender.


A busca é extremamente agradável de se ver.


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terça-feira, 18 de novembro de 2014

97 – O retorno (Vozvrashchenie) – Rússia (2003)

Direção: Andrei Zvyagintsev
Na Rússia contemporânea, Andrei (Vladimir Garin) e Ivan (Ivan Dobromravov) levam uma vida normal, como a de outros garotos de sua idade, e são felizes a seu modo. O mundo deles muda após a inesperada chegada do pai (Konstantin Lavronenko), que está afastado de casa há 12 anos. Tentando romper a barreira de relacionamento que os separa, o pai decide levar os dois filhos em uma viagem de carro de 3 dias. A mãe (Natalya Vdovina) aceita a idéia a contragosto e os três partem sem destino definido. No decorrer da viagem os garotos envolvem-se de maneira distintas com o pai, envolvidos com a alegria de reencontrá-lo e a estranheza de mal conhecê-lo.


A história de uma pai fazendo seus filhos tornarem-se adultos. E as dores que envolvem todo e qualquer crescimento, toda e qualquer relação.

Uma bela e fria fotografia.

Atores mirins de muito talento.

E uma narrativa amarrada por diversas situações de extrema sutileza.

Enfim, um filme bem interessante.


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